Email de turma

Email de turma, sim ou não?

Durante as duas semanas em que as aulas presenciais estiveram suspensas, devido à Covid-19, muito se falou em email de turma como forma de comunicar com os alunos.

Quando se trabalha com este tipo de endereço de correio eletrónico, é frequente os professores enviarem para os alunos as instruções das tarefas a realizar e receberem o resultado destas pela mesma via.

Pessoalmente, não concordo com o email de turma por várias razões:

  1. Só o primeiro aluno a ir à caixa de correio eletrónico vê as novas mensagens a negrito e, como tal, só este tem uma rápida perceção dos emails que ainda não leu. Pode parecer pouco importante, mas se a quantidade de mensagens trocadas entre os professores e os alunos for grande, pode tornar-se complicado garantir que ninguém deixou nada para trás.
  2. Todos os alunos têm as mesmas permissões pelo que podem apagar emails, ver as tarefas que os colegas realizaram e enviaram os professores, entre outras. Infelizmente, conheço casos em que já houve grandes problemas a propósito desta questão.
  3. Por último, e não menos importante, penso que se está a dar um mau exemplo, aos alunos, em relação às questões de segurança na Internet. Se por um lado, transmitimos a mensagem que as palavra-passe de acesso às contas da Internet são individuais e não se devem partilhar com ninguém, nem mesmo com o(a) melhor amigo(a). Por outro lado, por uma questão de comodidade, permitimos que as regras sejam quebradas, considerando natural a partilha de conteúdos através de um endereço que deveria ser individual.

Em Portugal, a idade mínima requerida pelo RGPD, a partir da qual é possível uma pessoa dar o seu consentimento livre, específico, informado e explícito para tratamento de dados pessoais, é de 13 anos.

Tal significa que alunos mais novos não poderão requerer, por sua iniciativa, um endereço de email pessoal. No entanto, desde que haja o consentimento do encarregado de educação é possível fazê-lo.

Além disso, pelo menos, a Google já se alinha pela legislação nacional e, quando um menor de 13 requisita um endereço gmail, é solicitado o endereço de email do pai/mãe para poder prosseguir.

gmail

Penso, por isso, não haver razões para a utilização massiva do email de turma que se tem verificado nos últimos tempos.

10 Comments

  • Maria Santos

    Olá Carla!
    Pelo menos concordamos ambas numa coisa: discordamos aparentemente uma da outra!

    E digo “aparentemente” porque, na verdade, a Carla não discordou dos meus argumentos.

    E vamos lá por os pontos nos is: A Carla tem todo o direito de preferir o Edmodo, Google Classroom ou Microsoft Teams para comunicar com os seus alunos. Talvez até seja mais indicado para si, que é professora de informática e, pelo que suponho, leciona alunos com boa capacidade económica.

    Eu, pelo contrário, acho que essas ferramentas são interessantes mas, até por uma questão de privacidade (um direito humano que muito prezo) – mas não só- dou-me muito bem com o email.

    1º – Nenhuma das ferramentas de que a Carla tanta gosta – e que eu conheço- apresenta vantagens significativas em relação ao email, pelo menos da forma como o tenho utilizado. Através do EMAIL DE TURMA consigo enviar aos alunos conteúdos de uma forma organizada e muito fácil de entender.

    2º- Porque não faço uma lista de distribuição e envio o trabalho para cada um deles, recorrendo a essas caixas de correio eletrónico? Ó Carla, então você acha que eu devia mandar a privacidade dos alunos às urtigas e publicar os endereços eletrónicos de cada um de forma a que todos vissem? Isso nem parece de uma professora de informática!…

    3º. Quanto ao Edmondo, e algumas das plataformas que cita, basta ter que fazer uma inscrição, e ter que fornecer dados pessoais, para estar a colocar a sua privacidade nas mãos de outros. De outros, que você nem sabe quem são, nem como vão policiá-la/tentar manipulá-la. Talvez a liberdade individual para si seja um direito de somenos e lhe tenha passado ao lado ao escândalo com a Google Analytics… Para mim, tal como para muita gente, trata-se de uma coisa muito séria.
    Além de que o Edmondo, por exemplo, limita-se a fornecer algumas ferramentas muito básicas e, se quiser aceder aquelas que verdadeiramente interessam vai ter que pagar…

    E não se trata de reduzir as possibilidades dos alunos a este meio de comunicação. Na verdade, por uma imposição discutível da minha escola, uso o Google Classroom. Só que não deixei de usar também o email de turma. E o resultado é que os alunos preferem o email. Aliás antes desta imposição, já os colegas que usavam unicamente o Google Classroom se queixavam que só se tinham inscrito 3 ou 4 alunos na classroom. Em contrapartida, numa turma de 28 alunos, só 2 não me enviaram trabalhos por nem sequer possuírem telemóvel…

    Mas enfim, é do confronto de ideias que nascem as melhores soluções. E faço questão de agradecer-lhe a disponibilidade aqui demonstrada para ajudar todos os que procuram desenvolver o seu trabalho de forma mais motivadora (nos quais me incluo).

    • Carla Jesus

      Olá Maria!

      Sim, parece-me que nunca vamos concordar 🙂

      Não me vou alongar na resposta mas tenho que dizer duas coisas.

      No 2.º ponto refere que não pareço professora de informática. Então a Maria não sabe que existe no email um campo Bcc (Blind) que serve precisamente para enviar o mesmo email a vários destinatários sem que uns vejam o email dos outros?!

      No 3.º ponto estou em crer que se refere ao caso Cambridge Analytica e não Google Analytics e que se refere a Edmodo e não Edmondo. Além disso, se preza assim tanto a sua privacidade tenho uma má notícia para si, o email que usa, mesmo que seja institucional, não lhe garante que a Google ou a Microsoft, conforme o caso, não controlam variadíssimos aspetos da sua vida.

  • Maria Santos

    Cara colega
    Li com atenção a sua reflexão sobre os inconvenientes do email de
    turma e, tendo em conta a minha experiência com esta ferramenta de
    trabalho com alunos de diversos contextos sociais, não posso deixar de
    discordar dos motivos que apresenta:

    1-“Pode tornar-se complicado que ninguém deixa nada para trás”.
    Se existir um email de turma por cada disciplina, como faço questão
    que aconteça, a quantidade de emails recebida pelos alunos não é tão
    volumosa que possa gerar confusão.
    Além disso as datas de receção aparecem na vista geral, o que impede a
    complicação a que se refere.
    Acresce que as mensagens recebidas no email de turma da disciplina,
    são APENAS AS ENVIADAS PELO PROFESSOR (materiais, fichas correções,
    etc., e destinam-se a TODOS, tal como acontece numa aula presencial).
    Os alunos enviam os trabalhos através dos seus endereços individuais e
    recebem respostas individualmente, caso se justifique (observações,
    classificações, etc.).

    2- “Os alunos podem ver as tarefas que os colegas realizaram e
    enviaram os professores”.
    Não, não podem, porque, como já disse, os alunos enviam os trabalhos
    através do email individual. Não conheço outro instrumento que garanta
    maior privacidade.
    Quanto a mim, como professora, ao usar o email como ferramenta de
    trabalho, uso a minha postura normal: comunicações de caráter
    individual não são feitas em público, mas individualmente.
    Claro que pode acontecer um acidente, – até agora, nunca aconteceu -,
    mas isso sucede em qualquer situação e é facilmente detetável e
    resolúvel com algum bom senso.
    Mas, mesmo nesse caso, o email continua a ser das ferramentas mais
    seguras: mesmo se apagado no email da turma, continua a existir prova
    física do seu envio, respetiva data e conteúdo. Ao contrário de outros
    problemas bem mais graves (felizmente raros!) que ocorreram em algumas
    escolas, onde provar a verdade foi bem mais complicado.

    3- Finalmente quanto às questões que coloca acerca da segurança da
    internet, francamente não entendo o seu ponto de vista.
    Parece colocar no mesmo saco o email de turma e o email individual,
    quando se trata de duas realidades distintas.
    O email da turma é, de facto, uma espécie de “rede social”, que se
    destina essencialmente a que o professor possa comunicar com a turma e
    não a que os alunos comuniquem, nem com o professor, nem uns com os
    outros (para isso existe o email individual), e é por isso que a
    palavra passe é do conhecimento de todos os membros da turma.

    A minha experiência é que os alunos sabem muito bem fazer esta distinção.

    O que se deveria ensinar verdadeiramente aos alunos, em matéria de
    privacidade e segurança, é que, por mais cuidados que se tenha, a
    privacidade absoluta NÃO EXISTE na internet. Por mais complicadas
    palavras passe que se usem e outras estratégias para garantir
    privacidade. Por isso é que se deve ter muito cuidado com o que se
    publica e com os sites que se visita…

    Evidentemente que o email tem desvantagens. Particularmente o limite
    de bytes nos documentos enviados.

    Mas, por outro lado, é bastante versátil. Por exemplo, no caso dos
    alunos que nem sequer possuem computador, permite receber mensagens do
    professor num simples telemóvel e enviar o trabalho pedido. Foi o que
    aconteceu com muitos alunos meus que, à falta de computador, fizeram
    os trabalhos em papel, tiraram fotos e enviaram pelo telemóvel. Sem o
    email da turma não teriam podido fazer qualquer tarefa à distância,
    sem sair de casa…

    • Carla Jesus

      Olá Maria!

      Não concordo mas, naturalmente, respeito a sua opinião.

      No entanto, confesso que fiquei confusa com os pontos seguintes:

      – Se os alunos até têm email pessoal, por que razão o professor não faz uma lista de distribuição e envia o trabalho para cada um deles, recorrendo a essas caixas de correio eletrónico?

      – Com apps gratuitas como Edmodo, Google Classroom ou Microsoft Teams, os alunos podem, através do seu telemóvel, aceder a todos os trabalhos de uma forma organizada e fácil de entender e entregá-los pela mesma via. Não entendo, por isso, porque reduz as possibilidades desses alunos ao uso de email.

      Se precisar de ajuda disponha.

  • Maria Regina Barros

    Que clarividência!
    Obrigada pela sua reflexão sobre este tema, com a qual concordo plenamente. E, sobretudo, obrigada por nos dar tantas outras sugestões de comunicação com os alunos.
    Pessoalmente, tenho alguma experiência (ainda pouca…) com o Google Classroom e gosto bastante; a grande dificuldade sentida, com algumas turmas, é a falta de motivação dos alunos em usarem esta ferramenta.
    Problema a resolver no futuro próximo!

    • Carla Jesus

      Olá Regina,

      Obrigada pelas suas palavras.

      Se já utiliza o Google Classroom, então o primeiro passo está dado! À medida que se for sentindo mais confiante no manuseamento da ferramenta, poderá diversificar o tipo de tarefas que propõe aos alunos, tendo como objetivo motivá-los. Apesar da escolha depender do ciclo de ensino e da área disciplinar, há algumas atividades que geralmente são bem recebidas como: responder a um questionário com feedback automático e tempo limitado (Scorative); pedir para gravar um vídeo com uma resposta ou reflexão (FlipGrid), fazer um jogo com a definição de determinados conceitos (Wordwall), entre muitas outras.

      Se precisar de ajuda, disponha.

  • N.GOMES

    Colega,
    ao apontar todos estes constrangimentos, quais as ferramentas que utilizou e recomenda.
    Não creio que teria estado 3 semanas sem contactar com os alunos???
    Certamente enviou tarefas, deu esclarecimentos, tirou dúvidas e recebeu atividades para dar o Fredback como nós.

    Aguardo ….

    • Carla Jesus

      Olá N. Gomes,

      Obrigada pelo seu comentário.

      O que coloco em causa neste artigo não é o meio de comunicação, mas a forma como é utilizado. O email é uma ferramenta essencial para o desempenho das tarefas inerentes à escola. Quando preciso de dar algum recado aos meus alunos, naturalmente, envio-lhes o email, mas para o endereço pessoal, não para um email de turma.

      No meu caso, a utilização dos emails foi muito pontual, porque os alunos têm um caderno diário digital no OneNote Online e uma pasta no OneDrive. Portanto, a partilha de conteúdos foi feita como sempre havia sido até a escola encerrar. A única coisa que mudou foi o facto das aulas passarem a ser por videoconferência através do Webex Meetings.

      No entanto, reconheço que o meu contexto (professora de informática e alunos do secundário) não é o da maioria dos professores e, por isso, não é este o caminho que aconselho seguir. Perante a emergência temos que simplificar. Assim, sugiro a utilização de plataformas como o Google Classroom ou Microsoft Teams, porque integram uma série de funcionalidades e, sobretudo a primeira, são bastantes fáceis de utilizar.

      Agradeço que leia também a resposta que dei ao comentário do A. Mendes e, naturalmente, estou disponível para ajudar no que for necessário.

  • A. Mendes

    Colega,

    Gostei de ler as observações que fez, tenho pena que não fosse mais longe e apresentasse algumas (pelo menos uma) solução ou alternativa.

    Assim, vai ser difícil…

    • Carla Jesus

      Olá A. Mendes,

      Obrigada pelo seu comentário.

      Talvez não me tenha feito entender. Quando o professor precisa de comunicar com os seus alunos, através de email, deve fazê-lo através dos seus endereços pessoais, em vez de utilizar um email de turma.

      Se nem todos os alunos tiverem um endereço de email pessoal há vários caminhos a seguir:
      1. Caso seja possível, solicitar à escola para criar endereços de email institucionais para os alunos;
      2. Utilizar o email dos encarregados de educação;
      3. Conforme a idade do aluno, pedir ao aluno ou ao encarregado de educação para criar um endereço de email pessoal;
      4. Se o aluno for menor de 13 anos e o encarregado de educação não souber criar um endereço de email, solicitar autorização para que o diretor de turma possa fazê-lo.

      Depois, há os casos em que o professor não precisa de comunicar com os alunos por email, precisa sim de utilizar um serviço de Nuvem (Google Drive, OneDrive, Dropbox, etc.) ou uma platforma LMS (Google Classroom, Microsoft Teams, Moodle, etc.) para disponibilizar tarefas e receber a resolução das mesmas. Aconselho a utilizar a solução que esteja implementada na escola, pois além de ser mais segura terá o apoio dos colegas que já a utilizam antes desta crise.

      Se a escola não tiver nenhuma solução terá que avançar por si. Existem inúmeros cursos online, vídeo-aulas e grupos de apoio, onde poderá obter informação sobre este tema.

      Naturalmente, também estou disponível para ajudar no que for necessário.

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